Quase todas as listas de "raças para apartamento" ordenam por tamanho. É o critério mais fácil de medir e um dos menos úteis.
Um apartamento não é um problema de espaço. É um problema de energia, ruído e solidão.
Os três critérios que importam
1. Energia diária. Quantas horas por dia é que este cão precisa de estar ativo? Um cão de trabalho — border collie, malinois, muitos setters — precisa de tanta ocupação que quase nenhuma vida de cidade lhe chega. E um cão que não gasta essa energia gasta-a noutra coisa: no sofá, na porta, ou a ladrar.
2. Tendência para vocalizar. Num prédio, isto decide a relação com os vizinhos. Raças criadas para alertar — muitos terriers pequenos, spitz, beagles — ladram porque é para isso que foram selecionadas. Pode trabalhar-se, mas parte-se de mais longe.
3. Tolerância a ficar sozinho. Algumas raças foram desenvolvidas para estar constantemente com pessoas. Num agregado onde ninguém está em casa das 8h às 19h, essa é a característica que mais custa.
Cães que costumam correr bem em apartamento
Isto não é uma lista de "melhores raças" — é uma lista de perfis que, na nossa experiência em Lisboa, se adaptam com menos atrito.
- Galgo / greyhound e podengo grande adotados. Contra-intuitivo e verdadeiro: são atletas de sprint que dormem 18 horas por dia. Um bom passeio, e ficam quietos. São dos melhores cães de apartamento que conhecemos.
- Cavalier King Charles spaniel. Baixa energia, muito sociável. Atenção às questões de saúde conhecidas da raça — pergunta ao veterinário antes.
- Bichon frisé e caniche (todos os tamanhos). Energia moderada, pouco pelo solto. O caniche é bastante mais inteligente do que a fama sugere e precisa de ocupação mental.
- Buldogue francês. Muito baixa energia. Mas é braquicéfalo: sofre com o calor de Lisboa no verão e não tolera esforço. Passeios curtos e cedo.
- Whippet. Como o galgo, em versão mais pequena.
- Shih tzu, lhasa apso. Baixa energia, feitos para companhia. Requerem manutenção de pelo.
- Rafeiro de porte médio adulto. Sem ironia: um cão adulto de abrigo com temperamento já conhecido é frequentemente a escolha mais segura de todas. Sabes o que estás a levar.
Cães que costumam sofrer
Não porque sejam maus cães — porque a cidade lhes pede o contrário do que precisam.
- Border collie, pastor-belga malinois, pastor australiano
- Husky siberiano e nórdicos em geral (energia + calor + vocalização)
- Beagle e a maioria dos cães de matilha (olfato, voz, resistência)
- Jack russell e terriers de trabalho
- Cães de guarda de grande porte, em apartamentos pequenos
Se te apaixonaste por um destes, não é impossível — mas conta com um compromisso de exercício e ocupação que muda a tua rotina, não a dele.
A pergunta que resolve quase tudo
Antes da raça, responde a isto: quantas horas por dia, de forma realista, este cão vai ter alguém com ele e alguém a ocupá-lo?
Se a resposta for "duas horas de manhã e a noite toda", a lista de cima abre-se muito. Se for "vinte minutos de manhã e uma hora à noite", precisas de um cão de energia genuinamente baixa — ou de ajuda a meio do dia.
Um cão adulto é quase sempre a escolha mais fácil
Um cachorro é uma aposta no temperamento. Um cão adulto de uma associação já tem personalidade formada, e as pessoas que tomam conta dele conseguem dizer-te se ladra, se fica bem sozinho e se se dá com outros cães. Em Lisboa há muitos, e muitos deles são calmos.
Se ficares preso na parte "meio do dia"
É a parte que mais bloqueia as pessoas — e é resolúvel.
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Passeios de cães em Lisboa, ao ritmo do teu cão
Para saber o resto da conta antes de decidires, escrevemos sobre quanto custa realmente ter um cão em Portugal.