Os primeiros dias correm quase sempre de uma de duas maneiras: o cão está estranhamente calmo, ou está completamente descontrolado. Nenhuma das duas te diz quem ele é.
Um cão acabado de chegar não está a exibir personalidade. Está a fazer triagem: onde estou, quem são estes, o que é seguro aqui.
Antes de ele chegar
Deixa a casa pronta para não teres de improvisar:
- Um sítio dele — cama ou manta, num canto sossegado com vista para a sala, não fechado numa divisão isolada.
- Taças de água e comida, num sítio onde ninguém passe por cima.
- A mesma comida que ele comia antes, pelo menos para a primeira semana. Mudar de casa e de ração ao mesmo tempo é receita para problemas digestivos.
- Trela e peitoral já ajustados.
- Contactos do médico-veterinário guardados no telemóvel antes de precisares deles.
- Decidido em família: onde dorme, se sobe ao sofá, quem passeia. Decidam antes, não à frente dele.
Dia 1
Menos é mais.
Traz o cão diretamente para casa. Um passeio curto no quarteirão antes de entrar ajuda a descarregar a viagem. Depois, mostra-lhe a casa com calma e deixa-o em paz.
Sem visitas. Sem festa. Sem passar o cão de colo em colo. Se ele se esconder atrás do sofá, deixa-o estar lá — sair por vontade própria é o primeiro passo.
Não te assustes se não comer no primeiro dia. É comum.
Os primeiros 3 dias
O objetivo é apenas um: previsibilidade. Come às mesmas horas, sai às mesmas horas, dorme no mesmo sítio.
Ainda sem visitas, ainda sem parques cheios de cães. Passeios curtos e em ruas calmas — não é altura de o levar ao sítio mais movimentado do bairro.
Muitos cães dormem imenso nesta fase. É bom sinal.
Semanas 1 a 3
É agora que ele começa a mostrar-se — e às vezes é agora que aparecem comportamentos que não existiam nos primeiros dias. Não é regressão. É o cão a sentir-se seguro o suficiente para deixar de estar em modo de sobrevivência.
Nesta fase:
- introduz a rotina definitiva de passeios
- começa a deixá-lo sozinho por períodos curtos e desde cedo, começando por cinco minutos — não esperes pelo dia em que tens mesmo de sair
- apresenta uma pessoa nova de cada vez, em casa, sem a obrigar a interagir com ele
- marca a consulta de rotina no veterinário, e trata da identificação e do registo se ainda não estiverem feitos
Meses 1 a 3
Aqui o cão já sabe onde vive. Começa a testar limites, o que é normal e saudável.
É a altura de:
- alargar o mundo dele — sítios novos, superfícies novas, mas um de cada vez
- introduzir a música e as rotinas de descanso, se for esse o teu plano (escrevemos sobre isso aqui)
- procurar aulas ou apoio profissional, se houver alguma coisa que não está a assentar
O erro que vemos mais
Fazer tudo na primeira semana. Toda a família, todos os amigos, o parque canino, a praia, o café. É bem-intencionado e é demasiado.
Os cães que assentam melhor são quase sempre os que tiveram duas semanas aborrecidas.
Quando começar com um passeador
Não no primeiro dia. Espera que ele conheça a casa e a rotina — normalmente a partir da segunda ou terceira semana.
Quando chegar a altura, começamos sempre com uma avaliação inicial: conhecemos o cão em casa, vemos como está com a trela, com outros cães e no carro, e só depois decidimos se entra num grupo ou se faz mais sentido individual.